
Manaus/AM – O Rio Negro encerrou o mês de agosto com 24,19 metros em Manaus, conforme dados da medição realizada no Porto de Manaus. A marca ficou 2,58 metros acima do nível registrado no mesmo período de 2025 e 4,17 metros acima da cota de 31 de agosto de 2024, ano em que foi registrada a menor marca da série histórica.
Apesar de o nível atual ainda estar acima dos registros dos últimos anos, pesquisadores do Serviço Geológico do Brasil (SGB) e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) alertam para uma vazante que pode estar entre as três mais severas já registradas.
Os estudos apontam que o Rio Negro poderá atingir entre 13 e 16 metros na orla de Manaus. No cenário considerado mais severo, a projeção indica uma cota de 12,92 metros.
O menor nível já registrado ocorreu em 4 de outubro de 2024, quando o Rio Negro chegou a 12,66 metros, estabelecendo o recorde negativo da série histórica de 122 anos. Mesmo em um cenário considerado mais favorável, a seca de 2026 poderá ficar entre as dez maiores já registradas.
Os primeiros 15 dias de setembro serão fundamentais para determinar a intensidade da vazante. Durante períodos semelhantes em 2023 e 2024, o Rio Negro chegou a baixar entre 3 e 3,5 metros.
Nos primeiros dias de setembro deste ano, o nível recuou 15 centímetros em Manaus, chegando a 23,94 metros no dia 2.
A previsão é de que a vazante continue apresentando um comportamento abaixo do considerado normal, o que pode provocar impactos econômicos e sociais em diferentes regiões do Amazonas.
Além da seca deste ano, os pesquisadores também demonstram preocupação com a cheia de 2027.
A intensidade do El Niño durante o segundo semestre de 2026 pode dificultar a recuperação dos níveis dos rios. O fenômeno, associado ao aquecimento das águas do Oceano Pacífico, pode reduzir a formação de chuvas sobre a Bacia Amazônica.
Caso os efeitos persistam até o período chuvoso, existe o risco de os rios não recuperarem os níveis esperados, aumentando a possibilidade de uma nova vazante severa no segundo semestre de 2027.
A redução dos níveis dos rios já provoca impactos em municípios do interior do estado.
Benjamin Constant e São Paulo de Olivença, na região do Alto Solimões, decretaram situação de emergência diante dos efeitos da estiagem.
A baixa dos rios pode prejudicar o transporte fluvial, a navegação, o abastecimento e o acesso de comunidades ribeirinhas, principalmente em trechos onde a profundidade fica reduzida.
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Com a continuidade da vazante durante setembro, os próximos dias serão importantes para indicar se o Rio Negro seguirá uma trajetória semelhante às grandes secas registradas nos últimos anos.
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