
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira (1º) que o governo brasileiro irá abrir diálogo com autoridades dos Estados Unidos para discutir os impactos da decisão americana de classificar o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações terroristas.
Segundo Durigan, a medida tem forte caráter político e pode gerar consequências para a economia brasileira, principalmente no sistema financeiro. O ministro demonstrou preocupação com possíveis sanções internacionais que possam atingir bancos nacionais e até mecanismos de pagamento como o Pix.
Durante entrevista, o chefe da equipe econômica afirmou que viajará aos Estados Unidos ainda nesta semana para reuniões voltadas às áreas econômica e política. O objetivo é buscar alinhamento técnico com autoridades americanas e evitar que a decisão provoque efeitos negativos sobre empresas e instituições brasileiras.
O governo brasileiro também avalia que a classificação foi adotada sem compartilhamento prévio de informações com órgãos nacionais. Para integrantes do Palácio do Planalto, a medida pode ampliar pressões comerciais e econômicas sobre o Brasil em um momento de tensão diplomática entre os dois países.
A preocupação ganhou força após autoridades americanas indicarem que investigações comerciais contra o Brasil estão em andamento. O receio é que o enquadramento das facções como grupos terroristas seja utilizado como base para futuras restrições econômicas ou financeiras.
Na última semana, os Estados Unidos anunciaram que o PCC e o CV passarão a ser oficialmente classificados como organizações terroristas estrangeiras a partir de 5 de junho. A decisão provocou reação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que classificou a medida como uma interferência na soberania brasileira e defendeu que o combate ao crime organizado já é realizado pelas instituições nacionais.
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Nos bastidores, o tema já se transformou em mais um ponto de atrito diplomático entre Brasil e Estados Unidos, com possíveis reflexos na economia, na segurança pública e nas relações comerciais entre os dois países.
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