
A Agência Amazonense de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental (AADESAM) está no centro de uma apuração do Ministério Público Eleitoral que investiga possíveis irregularidades em uma série de demissões e contratações realizadas no início de julho.
O diretor-presidente da agência, William Alexandre Silva de Abreu, foi citado diretamente no procedimento. Nomeado durante a gestão do ex-governador Wilson Lima, ele permaneceu no comando da AADESAM após Roberto Cidade assumir o Governo do Amazonas.
Segundo informações apresentadas pela Procuradoria Regional Eleitoral ao Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), dados do eSocial apontaram 461 desligamentos de trabalhadores com datas entre 1º e 3 de julho. O Ministério Público afirma que esses registros só foram consolidados no sistema depois do início do período de restrições previsto pela legislação eleitoral.


Paralelamente, a própria AADESAM informou ter realizado mais de 140 admissões entre os dias 1º e 3 de julho. Para a Procuradoria, a concentração de desligamentos e novas contratações no mesmo período justifica o aprofundamento das investigações.
O MPE também identificou oito desligamentos com datas posteriores a 3 de julho, período em que, segundo a Procuradoria, já estavam em vigor as restrições eleitorais previstas no artigo 73, inciso V, da Lei das Eleições.


William Abreu aparece no procedimento tanto como presidente da AADESAM quanto como responsável por documentos relacionados às contratações realizadas pela agência.
Entre os documentos estão atos ligados ao Edital nº 004/2026/CPSS/AADESAM, relacionado ao Projeto Produzir Amazonas, publicados nos dias 1º e 2 de julho e assinados pelo diretor-presidente.
O Ministério Público Eleitoral também havia encaminhado a William o Ofício nº 104/2026/PRE-AM, solicitando informações sobre desligamentos, admissões e contratações realizadas pela agência.
Em resposta, por meio do Ofício nº 0616/2026-GAB/AADESAM, William informou que as contratações referentes ao edital ocorreram entre 1º e 3 de julho e afirmou que, até aquele momento, não havia registro de desligamentos relacionados especificamente àquelas contratações.

A Procuradoria, entretanto, considerou que a resposta não atendia integralmente ao que havia sido solicitado, pois o pedido envolvia todos os desligamentos e admissões realizados no período, e não apenas aqueles relacionados ao edital.
A apuração do Ministério Público Eleitoral busca verificar se a estrutura da AADESAM teria sido utilizada para fins político-eleitorais.
Entre os elementos analisados estão relatos de trabalhadores sobre demissões, possíveis documentos com datas retroativas e a abertura de vagas para novos contratados. Essas informações fazem parte da investigação e ainda precisam ser confirmadas pelas autoridades competentes.
A Procuradoria também solicitou documentos como listas de funcionários demitidos e contratados, datas de admissão e rescisão, registros do eSocial, termos de rescisão, exames demissionais, informações sobre os projetos de lotação e documentos relacionados ao processo seletivo.
Também foram solicitados registros de acesso aos sistemas da agência, informações do setor de Recursos Humanos e eventuais comunicações realizadas com os trabalhadores nos dias que antecederam e sucederam as demissões.
Até o momento, não há decisão judicial que reconheça abuso de poder político ou eleitoral por parte de William Abreu. A investigação está justamente na fase de coleta e análise de documentos para esclarecer o que ocorreu.
A AADESAM e os demais envolvidos ainda poderão apresentar suas manifestações no decorrer do processo.
Fonte: informações constantes no procedimento apresentado pela Procuradoria Regional Eleitoral ao TRE-AM.
OUTRA DENUNCIA CONTRA A AADESAM
Também recebemos denúncias que a Aadesam não pagou a rescisão de colaboradores que foram demitidos no dia 3 de julho de 2026.
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