
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu reduzir a exposição da primeira-dama Janja da Silva durante o segundo turno das eleições. A mudança ocorre após críticas internas sobre a participação dela nos atos eleitorais e a avaliação de aliados de que o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) deveria ganhar mais espaço na estratégia de campanha.
A discussão ganhou força após uma reunião de integrantes da coordenação política da campanha. Segundo relatos, parte dos aliados avalia que algumas manifestações públicas de Janja acabaram gerando desgaste político para Lula, principalmente pela forma como ela passou a participar dos eventos e pelos ataques direcionados a adversários.
A ex-senadora Kátia Abreu, que participa da coordenação da campanha no Tocantins, defendeu publicamente uma mudança de estratégia. A avaliação apresentada é de que Alckmin pode ajudar a ampliar o diálogo com setores do eleitorado que não fazem parte tradicionalmente da base petista, especialmente empresários e eleitores de centro.
A participação de Janja na campanha havia aumentado nas últimas semanas. Ela passou a ter presença frequente em comícios e outros eventos, além de atuar diretamente em algumas agendas eleitorais.
De acordo com relatos de aliados, entretanto, integrantes da campanha passaram a considerar que determinadas manifestações da primeira-dama estavam contribuindo para ampliar o desgaste da candidatura.
Entre os episódios citados está o uso de expressões consideradas ofensivas contra o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), além de declarações envolvendo integrantes da família Bolsonaro.
Apesar das críticas, a equipe de Janja afirmou que ela continuará participando da campanha e que sua atuação conta com o respaldo do próprio presidente Lula.
Com a mudança de estratégia, Geraldo Alckmin deve assumir uma participação mais ativa na campanha de segundo turno. A intenção é utilizar o perfil mais moderado do vice-presidente para ampliar o diálogo com diferentes setores da sociedade.
A estratégia também busca fortalecer a comunicação de Lula e apresentar novas pautas ao eleitorado, após o resultado apertado do primeiro turno.
Além da mudança envolvendo Janja, a campanha petista passa por uma reorganização interna, com a participação de outros nomes do grupo político de Lula na coordenação das atividades do segundo turno.
A eleição presidencial terá segundo turno em 25 de outubro. A campanha de Lula agora tenta ajustar sua estratégia para ampliar alianças e conquistar votos entre eleitores que não integram sua base tradicional.
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