
MANAUS (AM) — A qualidade do ar em Manaus atingiu níveis perigosos neste sábado (17), em meio ao avanço da fumaça provocada por queimadas no Amazonas e em estados vizinhos. A situação acendeu um alerta para os riscos à saúde dos moradores, após o aumento expressivo da concentração de partículas poluentes na atmosfera.
Dados da plataforma internacional IQAir apontaram concentração de partículas finas PM2.5 de 394,3 microgramas por metro cúbico (µg/m³) por volta das 7h45. Em outros registros divulgados ao longo da manhã, os índices também alcançaram patamares extremamente elevados, com diferenças entre horários e estações de monitoramento.
O cenário reforça a preocupação com a exposição prolongada à fumaça, especialmente entre crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares.
Diante da piora das condições atmosféricas, a Prefeitura de Manaus manteve a suspensão das atividades municipais ao ar livre até este domingo (18).
A medida preventiva busca reduzir a exposição da população aos poluentes enquanto persistirem as condições críticas. A recomendação é evitar exercícios físicos em espaços abertos e acompanhar os comunicados oficiais sobre possíveis mudanças nas restrições.
A fumaça também provocou alterações na programação cultural da cidade. O Boi Manaus, inicialmente previsto para os dias 17 e 18 de outubro, foi adiado e remarcado para os dias 21 e 22, na Alameda Gigantes da Floresta, na zona Norte. A realização nas novas datas dependerá das condições ambientais.
O problema atinge diferentes regiões da capital. Monitoramentos divulgados neste sábado apontaram concentrações elevadas de partículas finas em bairros como Coroado, Petrópolis e Puraquequara.
Medições realizadas por diferentes sistemas também identificaram índices preocupantes em outras zonas da cidade. Os números podem variar conforme a localização dos sensores, a circulação dos ventos e a quantidade de fumaça presente no ar.
A principal preocupação é a presença do material particulado fino, conhecido como PM2.5. Por ser formado por partículas muito pequenas, esse poluente consegue penetrar profundamente no sistema respiratório e, em determinadas condições, alcançar a corrente sanguínea.
A exposição à fumaça pode provocar ardência nos olhos, irritação na garganta, tosse, coriza e desconforto respiratório. Em pessoas com asma, bronquite e outras doenças crônicas, a poluição pode agravar os sintomas e desencadear crises.
O risco não se limita a quem já apresenta problemas de saúde. A exposição intensa ou prolongada também pode afetar pessoas sem histórico de doenças respiratórias.
Por isso, crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças cardíacas ou pulmonares devem receber atenção especial durante os períodos de maior concentração de fumaça.
Diante da qualidade crítica do ar, algumas medidas ajudam a diminuir a exposição aos poluentes:
Evite atividades ao ar livre: suspenda exercícios físicos em ambientes externos enquanto a qualidade do ar estiver crítica.
Mantenha os ambientes protegidos: feche portas e janelas nos períodos de maior concentração de fumaça, quando isso ajudar a reduzir sua entrada.
Use máscara adequada: se precisar sair, uma máscara PFF2 ou N95 bem ajustada pode reduzir a inalação de partículas finas.
Beba água regularmente: mantenha a hidratação ao longo do dia.
Proteja os grupos vulneráveis: evite expor crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas à fumaça.
Observe os sintomas: tosse persistente, falta de ar e irritação intensa merecem atenção médica. Dificuldade importante para respirar ou dor no peito exigem atendimento de urgência.
A fumaça que encobre Manaus está associada a queimadas no interior do Amazonas e em estados vizinhos, como Rondônia, Pará e Mato Grosso. Os ventos transportam partículas por longas distâncias, enquanto a falta de chuvas pode dificultar a dispersão dos poluentes.
O agravamento da situação levou autoridades ambientais e de saúde a reforçarem o monitoramento da qualidade do ar e os preparativos para atender possíveis impactos na rede de saúde.
A orientação é que os moradores acompanhem os índices atualizados e os avisos dos órgãos oficiais antes de realizar atividades externas. Mesmo que a fumaça diminua visualmente, a concentração de partículas poluentes pode continuar elevada.
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