
BRASÍLIA — A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) alcançou R$ 11,1 trilhões em agosto de 2026, o equivalente a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. Os números foram divulgados nesta quarta-feira (30) pelo Banco Central.
O indicador reúne as dívidas do Governo Federal, do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e dos governos estaduais e municipais. Em julho, a dívida correspondia a 82,5% do PIB, o equivalente a aproximadamente R$ 10,9 trilhões.
A alta foi de 0,3 ponto percentual em relação ao mês anterior e representa o terceiro mês consecutivo de crescimento do indicador. Em 2026, a dívida bruta já acumula avanço de 4,2 pontos percentuais do PIB.
Segundo o Banco Central, o principal fator responsável pelo aumento da dívida em agosto foi a incorporação dos juros nominais, que acrescentou 0,8 ponto percentual à relação entre dívida e PIB.
A desvalorização cambial teve impacto de 0,1 ponto percentual, enquanto o crescimento do PIB nominal ajudou a reduzir o indicador em 0,5 ponto percentual.
No acumulado de 12 meses até agosto, os juros nominais pagos pelo setor público chegaram a aproximadamente R$ 1,18 trilhão, equivalente a 8,86% do PIB.
Apesar do patamar elevado, a dívida bruta atual não representa o maior percentual da série histórica.
O recorde foi registrado durante a pandemia de Covid-19, quando a dívida chegou a aproximadamente 87,6% do PIB em 2020. O percentual de agosto de 2026 é o maior desde aquele período.
O setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 10 bilhões em agosto.
O Governo Central apresentou resultado negativo de R$ 14,7 bilhões. Em contrapartida, estados e municípios registraram superávit conjunto de R$ 2,7 bilhões, enquanto as empresas estatais tiveram resultado positivo de R$ 2 bilhões.
No acumulado de 12 meses até agosto, o déficit primário do setor público chegou a cerca de R$ 82,1 bilhões, segundo os dados divulgados pelo Banco Central.
Outro indicador divulgado nesta semana pelo Tesouro Nacional mostra que a Dívida Pública Federal (DPF) terminou agosto em R$ 9,29 trilhões, com alta nominal de 0,04% em relação a julho.
A DPF é diferente da Dívida Bruta do Governo Geral. Ela representa os compromissos financeiros do Governo Federal administrados pelo Tesouro Nacional, enquanto a DBGG também inclui estados e municípios, entre outros componentes.
Em agosto, o Tesouro emitiu R$ 211,62 bilhões em títulos e realizou resgates de R$ 296,05 bilhões, resultando em um resgate líquido de R$ 84,43 bilhões. Mesmo assim, a dívida permaneceu praticamente estável devido à incorporação de R$ 88,39 bilhões em juros.
Os dados divulgados pelo Banco Central mostram que o endividamento público segue pressionado principalmente pelos juros e pelo resultado das contas públicas.
O avanço da dívida em relação ao PIB, entretanto, precisa ser analisado considerando também o crescimento da economia, a variação cambial e a composição dos diferentes indicadores de endividamento.
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